Informações Gerais

A Ilha do Mel localiza-se na entrada da Baía de Paranaguá, na região central do litoral paranaense. Encontra-se vinculada ao município de paranaguá, estando sua jurisdição e proteção a encargo do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A administração é feita por um conselho gestor composto por representantes do governo estadual e municipal, da Batalhão da Polícia Militar-Força Verde e de diversas associções comunitárias.

A Ilha tem um formato de um oito mal traçado, dividindo-se em duas áreas bem definidas, ligadas por uma faixa estreita de areia. Em sua maior extensão é constituída por vasta planície de restinga, principalmente ao Norte. Ao sul, encontram-se vários morros (Encantadas, Caraguatá, Bento Alves, Meio, Joaquim e Conchas) ligados entre si por formações arenosas. Na parte Norte encontra-se apenas o Morro da Baleia. Possui uma superfície de 2.762 ha (113 alqueires), com 35 km de perímetro.


Acesso

O acesso a Ilha do Mel é feito por mar. A partir de Pontal do Sul (130 km da Curitiba) leva-se em média 25 para Encantadas, e 30 minutos para Nova Brasília. A partir de Paranaguá (90 km de Curitiba) com uma duração média de 1:30h, dependendo do barco e da maré. Clique na imagem para ver os detalhes.


Formação

A Ilha do Mel foi formada recentemente, quando o nível do mar teve a sua última regressão, a cerca de 5 mil anos atrás. Até então o que existia era um arquipélago formado pelos atuais morros, com rochas do período pré-cambriano. Hoje encontramos as antigas Ilhas interligadas por planícies arenosas. Sobre os morros e a planície encontra-se uma vegetação típica do litoral brasileiro. Ao redor da Ilha são encontradas praias arenosas, ora estreitas ora extensas, intercaladas em alguns momentos por barrancos e costões rochosos.

Acompanhe a evolução paleogeográfica da Ilha do Mel


Conservação

O estado de conservação da Ilha do Mel é ainda muito bom. Já em 1975, a Ilha foi tombada pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Paraná, como patrimônio arqueológico, etnográfico e paisagístico. Em 1981 foi elaborado o primeiro plano de manejo, no qual estabeleceu um zoneamento para áreas de ocupação e de preservação. Da área total da Ilha, 2.586,48 há (93.71%) são destinados a preservação, onde encontra-se a Estação Ecológica e as áreas de proteção permanentes, como dunas, manguezais restingas e morros. A Ilha também integra a Reserva da Biosfera.

Este estado de conservação da Ilha, junto aos outros atrativos e a melhora da infra-estrutura turística nos últimos 10 anos, foi rapidamente divulgado pela mídia e agencias de viagens, promovendo um grande fluxo de pessoas, chegando ser, em certos momentos, desorganizado. Essa desorganização estimula um processo de degradação do ambiente, com invasões a áreas protegidas, problemas com a produção excessiva de lixo e o destino dos efluentes domésticos, conflitos com a comunidade nativa, a perturbação da fauna e flora e a quebra da tranquilidade do local. Esses problemas acabam por depreciar as características ambientais naturais da Ilha, acarretando consequentemente, em uma diminuição na procura por parte dos visitantes, trazendo grandes prejuízos à população local e os comerciantes. Só a regulamentação e a aplicação de Planos de Manejo podem resolver e reverter tais situações.

 


A origem do nome Ilha do Mel

Hans Staden parece ter sido o primeiro a citar o nome "Ilha do Mel" em seus textos em meados do século XVI, indicando o local como sendo a Ilha da Farinha (farinha em alemão é mehl), pois os ocupantes plantavam mandioca para a obtenção da mesma. O nome permaneceu e em 1666 já aparece em uma das primeiras cartas náuticas da região, elaborado por João Teixeira Albbernas.

Mas, conversando com moradores da ilha é possível se escutar várias versões para o nome Ilha do Mel. A começar pela própria exploração do mel silvestre feita pelo povo que primeiro ocupou a região. Os piratas a chamavam com esse nome para não chamar a atenção dos tesouros escondidos na Gruta das Encantadas. Até o final do século passado, a Ilha era conhecida como “Ilha da Baleia” em função do morro de mesmo nome, onde se encontra a fortaleza. Fala-se também em um cartógrafo chamado Henry Mehl que por aqui passou na época do descobrimento. Pode ser da cor caramelizada da água que escorre da mata para a praia. Ou que  marinheiros aposentados que viviam na Ilha e dedicavam-se à apicultura, produzindo uma quantidade tamanha de mel  que chegaram a exportar o produto até os anos 60. Antes da segunda Guerra Mundial a ilha era conhecida coma a ilha do Almirante Mehl que se dedicou à apicultura e cujo família lá freqüentava.  

 


Atrativos

A Ilha do Mel possui uma variedade de atrativos, que a colocam junto aos principais pontos turísticos do Paraná, chegando a receber, na temporada de 1999/2000, mais de 90.000 pessoas.

Entre os atrativos naturais, destaca-se a paisagem, pouco alterada, com montanhas, planície, baías, ilhas e o mar.  São encontradas 19 praias, sendo que algumas são isoladas e não possuem ocupação humana, trazendo a sensação de “lugar selvagem”. Dos 8 morros presentes, alguns possuem caminhos de acesso ao seu cume, possibilitando ao visitante a observação de panoramas de extrema beleza. Duas grutas são encontradas na Ilha, uma no morro das encantadas e uma no morro da Baleia. A flora é diversificada e representativa de toda uma região.

O avistamento da fauna é freqüente. Até o momento foram registrados 24 espécies de mamíferos terrestres, 153 espécies de aves, 20 espécies de répteis, 7 espécies de peixes de água doce e 6 espécies de anfíbios. Mamíferos marinhos, visitantes e residentes, são representados por 10 espécies, sendo que a observação mais frequente é a do Boto Cinza. O numero de espécies de invertebrados, tanto marinhos como terrestre não é preciso, mas passa dos milhares. Onze espécies, até agora levantadas, são ameaçadas de extinção, não contando as tartarugas marinhas que usam a ilha somente como ponto de passagem.
Entre os atrativos culturais, é possível a observação do registro da presença dos habitantes da região antes do descobrimento, bem como as construções dos séculos XVIII e XIX. A Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres foi a única fortificação do século XVIII a entrar em combate no Brasil, através do episódio conhecido como “Batalha do Cormoram”.  O Farol das conchas foi erguido para sinalizar o canal de acesso dos navios ao Porto de Paranaguá, exercendo essa função por quase 100 anos.

A cultura da Ilha é rica em lendas e histórias, como as das ninfas ou sereias na Gruta das Encantadas que atraiam os pescadores, e a do Padre-sem-cabeça que guarda um tesouro na Fortaleza. Atualmente a população da ilha é constituída por nativos, descendentes na sua maioria, da miscigenação entre o índio, o negro africano e o europeu. Os demais moradores vieram em função do turismo, principalmente a partir da década de 80.  Atualmente, a população da Ilha do Mel varia de 800 a 1200 moradores, varaindo conforme a época.

A Ilha também é propícia à aventura, com boas condições para o Surf, Snorkling, escalada técnica e rappel, Vôo Livre e Paraglaid, trekking e biking. A pesca esportiva pode ser praticada em seus costões e praias.

Infra-Estrutura

A Ilha do Mel pode ser considerada um dos primeiros balneários paranaense. Já nas primeiras décadas século XX, famílias abastadas alemãs viam de Curitiba até Paranaguá para pegar o barco até a Fortaleza. Lá desembarcavam em um trapiche. Também podiam até se deslocar  por meio de uma jardineira que os levavam para vários lugares da Ilha. Nesta época, junto as casas dos veranistas, foi construído o Hotel para atender os grupos que viam principalmente no inverno, para fugir dos mosquitos e altas temperaturas do verão paranaense. Após a Segunda Grande Guerra, essa atividade praticamente desapareceu. A retomada da visitação começou no início da década de setenta, com os movimentos alternativos de jovens de vanguarda, que transformaram a Ilha em uma espécie de base, especialmente em fins de semana e temporada de férias. A partir de então a visitação não parou de crescer.
Atualmente, a Ilha conta com uma infra-estrutura rústica que se constitui em um Hotel, 63 pousadas, 11 campings, 2 postos de saúde, 16 restaurantes, 1 lanchonete, 4 postos de informações  e  1 praça de alimentação.

A luz elétrica só chegou a Ilha em 1988 com a construção de uma usina termoeléctrica movida a óleo díesel, localizada na Ponta do Cassual. Para esse sistema havia um esquema de racionamento, onde a luz ficava disponível entre as 7 da manhã até as 2 da madrugada do outro dia. Hoje o fornecimento de energia elétrica é contínuo, graças a conexão com o continente por cabo submarino.

O deslocamento entre os lugares da ilha é feito basicamente por caminhos traçados entre a vegetação e pela praia, feito em sua maioria a pé, podendo ser percorrida, em alguns trechos, por bicicleta.

Dicas Impotantes

Para melhor aproveitar a sua estadia na Ilha do Mel, oferecemos as seguintes dicas: 
s A Ilha possui um controle de capacidade de carga para 5.000 pessoas dia. Portanto, antes de se deslocar, verifique junto aos órgãos competentes essa situação, para não chegar no embarque e ficar retido.
s Também reserve com antecedência a sua pousada ou camping se vier em época de temporada ou feriados prolongados.
s Programe-se para ficar mais de um dia na ilha para melhor conhecer e aproveitar seus atrativos. Entre as luas novas de novembro e dezembro, ocorre o período de botucas (moscas que se servem do sangue alheio). Traga roupas para proteger braços, pernas e pescoço.
s Lembre-se que da lua nova de novembro até a lua nove de dezembro é o período das botucas (moscas hematófogas), e por isso é importante trazer calça e camisa de manga longa. Elas são de hábito diurno, aprecendo em enxames, do amanhecer ao entardecer. Elas são mais frequentes na porção da Estação Ecológica, onde a mata é mais densa. para saber mais sobre as botucas no Paraná, veja o artigo Turcatel et al, 2007
s E, por último, procure adotar os princípios do mínimo impacto, aumentando a sua contribuição com a conservação do local.
s Princípios do Mínimo Impacto
  Planejamento é fundamental
  Você é responsável pela sua segurança
  Cuide das trilhas e dos locais de acampamento
  Traga o seu lixo de volta
  Deixe cada coisa em seu lugar
  Não faça fogueiras
  Respeite animais e plantas
  Seja cortês com a comunidade local e os outros visitantes.

Locallize-se

Clique na imagem para obter o arquivo com todos os locais indicados da Ilha do Mel.

Legislação Pertinente

LEI No 16.037, DE 08 DE JANEIRO DE 2009. Dispõe que a Ilha do Mel, situada na baía de Paranaguá, Município de Paranaguá, constitui região de especial interesse ambiental e turístico do Estado do Paraná, conforme especifica.

 

Bibliografia

Informações mais detalhadas sobre a Ilha você pode encontrar nas seguintes publicações.

Athayde,S.F. & Tomaz, L.M. 1995. Áreas Naturais Protegidas e comunidades locais da Ilha do Mel–PR-Br. Nerítica 9(1-2): 49-91.

Bley, L. 1993. A percepção da paisagem da Ilha do Mel. UFPR. Curitiba. Cad. Geo.,3:13-16.

Brietz, R.M. & Silva,S.M. 2000. A Ilha do Mel no contexto ambiental e conservacionista do litoral paranaense. SPVS. Cadernos do Litoral 3. Curitiba: PROBIO 2000.64p.

Costamilan, C.V. & Bosak,L.I. 1993. O turismo na Ilha do Mel. UFPR. Curitiba.Cad. Geo.,3:17-20.

Lazzarotto,C.D.; Pierkarz,G.F. & Soavinski,P.J. 1998. Mapa turístico: Ilha do Mel. Ed. Idéias Novas, Campo Largo/PR.

Marques,M.C.M. & Britez, R.M. (2005) História Natural e Conservação da Ilha do Mel. Editora UFPR. Curitiba.

Silva,S.M. & Athayde,S.F.. 1994. Ilha do Mel: História Natural e Conservação. Curso de Extensão. UFPR. 100p. (apostila)

Soares,C. & Lana,P. 1994. Baía de Paranaguá: Mapas e Histórias. Curitiba. Ed. Da UFPR. 98p.

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